Rodovia brasileira resiliente atravessando floresta com clima extremo de um lado e céu limpo do outro

Rodovias cortam o Brasil de norte a sul. Elas conectam cidades, distribuem riquezas e sustentam a economia do país. Mas, diante de um cenário global de emergência climática, surge um desafio: como transformar a infraestrutura rodoviária em um pilar de desenvolvimento sustentável, sem abandonar sua função estratégica?

A relevância das rodovias para o Brasil e o peso ambiental

As rodovias brasileiras sustentam grande parcela do transporte de pessoas e cargas. De acordo com especialistas do setor, quase dois terços da logística nacional dependem das estradas. Elas garantem a integração de regiões, o escoamento da produção agrícola e industrial e permitem respostas rápidas frente aos desafios sociais e econômicos.

Porém, todo esse potencial traz um preço ambiental elevado:

  • Emissões de gases de efeito estufa (GEE) associadas à frota de veículos motores;
  • Fragmentação de ecossistemas e incentivo ao desmatamento em áreas sensíveis;
  • Vulnerabilidade crescente a eventos extremos, como alagamentos e quedas de pontes.

Basta acompanhar as notícias dos últimos anos para perceber essa tendência: bloqueios de estradas por deslizamentos, pontes arrastadas por enchentes e comunidades isoladas. Tudo isso mostra a necessidade urgente de resiliência e adaptação da infraestrutura frente às mudanças climáticas.

ODS e o Acordo de Paris: metas para um futuro mais sustentável

Em 2015, o Brasil assumiu compromissos internacionais importantes: os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e o Acordo de Paris. Esses acordos vão além da redução de emissões e integram desafios sociais, ambientais e econômicos. Ao pensar nas rodovias, destacam-se alguns dos ODS relacionados:

  • ODS 9: Indústria, inovação e infraestrutura (modernizar e tornar as infraestruturas resilientes a desastres);
  • ODS 11: Cidades e comunidades sustentáveis (acesso seguro à mobilidade);
  • ODS 13: Ação contra a mudança global do clima (adaptação e mitigação de emissões);
  • ODS 15: Vida terrestre (evitar danos a ecossistemas e reduzir o desmatamento).

O Acordo de Paris, por sua vez, estabelece metas para conter o aquecimento global e estimular investimentos de baixo carbono. Cada novo projeto rodoviário precisa dialogar com esses compromissos, desde a concepção até a operação e manutenção.

No blog da Rekompense, há maior aprofundamento sobre como infraestrutura e ODS se relacionam e por que isso é tão relevante no contexto nacional.

Impactos das mudanças climáticas e vulnerabilidades das rodovias

Recentemente, o Ministério dos Transportes divulgou um estudo detalhando como as alterações climáticas afetam rodovias pelo país. Segundo o levantamento, mais de 84% das estradas mantêm baixo risco de inundações mesmo em cenários pessimistas para as próximas décadas. No entanto, trechos já conhecidos, como a BR-116 e a BR-381, revelam riscos médios a altos devido ao tráfego intenso e à exposição a eventos extremos.

A BR-163, no Pará, se destaca por sua sensibilidade: infraestrutura precária e solo vulnerável, agravando impactos de chuvas e enchentes.

Esses dados sinalizam uma verdade difícil de ignorar. Não dá mais para projetar e manejar rodovias sem considerar o que está por vir: quedas de temperatura, volumes de chuva imprevisíveis e fenômenos extremos se tornaram parte do cenário.

Rodovia parcialmente alagada durante chuva forte, carros desviando da água

Taxonomia de transição para rodovias: novo marco para financiamento sustentável

Em 4 de junho, a iniciativa Investidores pelo Clima (IPC), fundada em 2019 com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), lançou a Taxonomia de Transição para Rodovias. Esse documento é um passo importante para alinhar investimentos, processos de concessão e operação rodoviária às metas globais de sustentabilidade.

A taxonomia apresenta critérios voluntários para avaliação de projetos rodoviários. O foco é claro:

  • Priorizar empreendimentos menos intensivos em carbono;
  • Classificar projetos conforme grau de impacto socioambiental;
  • Estimular adaptação e resiliência a mudanças no clima.

Diferente de obrigações legais, trata-se de um guia para investidores, financiadores, concessionárias e toda a cadeia de valor. A elaboração foi participativa e contou com consulta pública em 2023, reunindo diferentes perspectivas e fortalecendo princípios de transparência.

Quem quiser aprofundar pode acessar o documento completo e assistir ao webinar organizado pelo IPC, disponíveis no site Investidores pelo Clima.

Como a taxonomia e as políticas públicas andam juntas

Marina Briant, gerente de Finanças Sustentáveis da ERM, destacou recentemente uma portaria do Ministério dos Transportes: agora, pelo menos 1% da receita bruta das concessões rodoviárias deve ser aplicada em ações de resiliência na infraestrutura. Essa exigência pública vem diretamente ao encontro das recomendações do IPC.

Taxonomia e regulação convergem para projetos rodoviários mais confiáveis, atraentes a investidores e menos vulneráveis a perdas e paradas.

No mesmo sentido, Tatiana Assali, sócia da ERM, ressalta que não basta pensar em resiliência como algo posterior. Para ela, cada etapa de um projeto, do planejamento à execução, precisa incorporar o novo contexto climático.

Resultados e oportunidades: mitigação, adaptação e transformação

A taxonomia do IPC não traz apenas regras, mas desenha oportunidades. Ao detalhar caminhos para a transição rumo a rodovias de baixo carbono, a iniciativa acelera práticas como:

  • Incorporação de soluções baseadas na natureza para mitigação de impactos naturais;
  • Uso de materiais mais duráveis e tecnologias limpas na construção e manutenção;
  • Gestão inteligente de riscos, censurando desigualdades e excluindo projetos danosos ao clima;
  • Monitoramento constante dos efeitos ambientais, com foco em adaptação.

Essa abordagem estimula investidores comprometidos com responsabilidade ambiental a priorizar projetos alinhados ao Acordo de Paris e aos ODS. Além disso, demonstra o poder dos critérios claros em impulsionar uma nova geração de concessões.

Equipe monitora dados ambientais em estrada arborizada

Outros empreendimentos já estão em desenvolvimento, na busca por uma economia mais justa, robusta frente a extremos e menos dependente de carbono. No blog da Rekompense, iniciativas ligadas à descarbonização das estradas também contribuem para esse movimento.

Mais referências sobre normas, tendências setoriais e debates sobre ESG podem ser encontradas tanto na categoria de sustentabilidade quanto em tendências normativas do blog, assim como nos conteúdos sobre cadeia de suprimentos sustentável.

Conclusão: transformar hoje para vencer amanhã

A resiliência das rodovias brasileiras depende de escolhas feitas agora. Taxonomia, políticas públicas e mobilização da sociedade caminham para integrar a infraestrutura ao compromisso global de proteção ao clima.

Transformar desafios regulatórios em estratégias é a proposta da Rekompense. Se a busca é por resultados mensuráveis, menos riscos e mais respeito ao planeta, o momento de agir já chegou.

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Perguntas frequentes sobre rodovias resilientes e sustentabilidade

O que são rodovias resilientes?

Rodovias resilientes são estradas planejadas, construídas e operadas para suportar impactos adversos, como eventos climáticos extremos e mudanças ambientais, sem perder sua funcionalidade. Elas integram novas tecnologias, materiais sustentáveis e monitoramento, garantindo menor vulnerabilidade a problemas como enchentes, deslizamentos ou interrupções graves.

Como rodovias contribuem para os ODS?

Rodovias bem estruturadas auxiliam nos ODS ao ampliar o acesso à mobilidade, melhorar a segurança, reduzir as emissões, proteger o meio ambiente e fomentar o crescimento econômico de forma equilibrada. Projetos sustentáveis alinham-se com metas dos ODS 9, 11, 13 e 15, promovendo infraestrutura moderna, cidades inclusivas, combate ao aquecimento global e conservação de ecossistemas.

Por que a taxonomia é importante?

A taxonomia funciona como um “guia sustentável”, definindo critérios transparentes para avaliação e classificação de projetos de infraestrutura. Isso aumenta a confiança de investidores, reduz riscos de projetos poluentes e orienta recursos para iniciativas alinhadas a metas ambientais e sociais nacionais e internacionais.

Como o Acordo de Paris afeta rodovias?

O Acordo de Paris impulsiona o setor rodoviário a adotar práticas menos poluentes, privilegiando obras e operações que reduzam emissões e aumentem a resistência às variações climáticas. Qualquer novo empreendimento precisa considerar os compromissos assumidos para limitar o aquecimento global.

Quais práticas tornam rodovias mais sustentáveis?

Rodovias sustentáveis projetam e executam ações como:• Uso racional de materiais e energia;• Redução e compensação de emissões de carbono;• Programas de adaptação a extremos climáticos;• Preservação da vegetação no entorno;• Monitoramento ambiental contínuo e inclusão de soluções naturais para controle de impactos.

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Priscilla Cersosimo

Sobre o Autor

Priscilla Cersosimo

Líder de pensamento reconhecida em implementação de estratégias ESG nas áreas de gestão da qualidade, sustentabilidade e certificações internacionais. Com mais de 10 anos de experiência e forte atuação em liderança de projetos complexos, carrega expertise em avaliação e diagnóstico de programas de rastreabilidade, conformidade de fornecedores e auditorias nos mais diversos segmentos, além de implementação de sistemas de gestão integrados e entrega de resultados expressivos em grandes organizações nacionais e multinacionais.

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