Linha de produção de reciclagem de plástico com código QR em fardo de material

No universo da sustentabilidade empresarial, cresce a expectativa sobre a procedência e a transparência dos materiais reciclados usados nos produtos finais. Para muitos gestores, surge uma pergunta cada vez mais comum: de onde vem o plástico reciclado que abastece a indústria? E, principalmente, sob quais condições esse material circulou até chegar ao consumidor?

A dúvida não é pequena. Entre o descarte de uma simples garrafa e seu retorno ao mercado como uma nova matéria-prima, existe uma cadeia complexa, cheia de nuances e atores diversos.

Por dentro da cadeia de reciclagem: múltiplos elos, realidades distintas

O caminho do plástico reciclado pode passar por bem mais do que se imagina. Essa jornada envolve:

  • Cooperativas de catadores, muitas vezes com diferentes graus de formalização
  • Pequenos agregadores que intermediários o material entre pontos de coleta e recicladores
  • Depósitos regionais de triagem
  • Operadores logísticos terceirizados, responsáveis pelo transporte
  • As indústrias recicladoras propriamente ditas, que transformam resíduos em matéria-prima apta para uso

Cada elo dessa trama apresenta desafios próprios, desde documentação até controles de estoque, infraestrutura, condições de trabalho e práticas ambientais. Por isso, a rastreabilidade é vista como um dos maiores desafios e, ao mesmo tempo, um requisito valorizado por cadeias verdadeiramente comprometidas com ESG.

O desafio da rastreabilidade: como dar garantias à indústria e ao consumidor?

No cenário atual, empresas são cada vez mais cobradas por órgãos regulatórios, investidores e consumidores para apresentar evidências robustas sobre a rastreabilidade de suas cadeias. Isso vale principalmente para materiais de origem reciclada, onde os riscos de greenwashing podem ser mais elevados.

Garantir que o plástico reciclado seja de fato originado, processado e transportado em condições alinhadas aos princípios ESG passa por alguns pilares:

  • Mapeamento detalhado dos fornecedores: entender cada elo da rede
  • Definição clara de critérios ESG e regulatórios para fornecimento
  • Auditorias periódicas presenciais e documentais
  • Soluções tecnológicas para registrar transações e movimentações
  • Programas contínuos de qualificação e padronização dos fornecedores
Transparência não é um luxo, é uma exigência para empresas responsáveis na nova economia circular.

O caso Circklo e ÓGUI: criando uma cadeia de reciclados rastreável e segura

A Circklo, reconhecida como uma das maiores plataformas de economia circular de plásticos na América Latina, enfrentou justamente esse desafio. Para conseguir atender empresas líderes e os altos padrões internacionais, era necessário estruturar um novo programa de governança de fornecedores.

Em parceria com a ÓGUI, desenvolveu e implementou um programa robusto de gestão de fornecedores baseado em critérios ESG. O processo envolveu:

  1. Diagnóstico da cadeia de fornecimento: levantando informações sobre mais de uma centena de fornecedores, em diferentes regiões brasileiras.
  2. Definição dos critérios de avaliação ESG, sociais, ambientais, trabalhistas e de integridade.
  3. Auditorias e visitas técnicas para avaliação de práticas no campo, inspecionando desde documentação mínima até aspectos de segurança.
  4. Implementação de um sistema estruturado de classificação e monitoramento contínuo dos fornecedores.

Esse trabalho conjunto permitiu à Circklo estabelecer um padrão elevado de governança, organizando a cadeia e respondendo de forma mais efetiva às demandas por transparência e rastreabilidade.

Vários elos da cadeia de reciclagem reunidos em sequência, como cooperativas, depósitos e transporte, mostrando a passagem do plástico

Depoimento: como a rastreabilidade impacta toda a cadeia

Segundo Tatiana Brammer, Chief Marketing & Sustainability Officer da Circklo:

“O programa estruturado com a ÓGUI representou um marco para que pudéssemos padronizar as informações e garantir a rastreabilidade dos reciclados. Isso nos abriu oportunidades junto a grandes clientes, criou rotinas que melhoraram a gestão de riscos e, acima de tudo, fortaleceu a economia circular ao promover mais inclusão e transparência para todos os envolvidos.”

Essa visão espelha a experiência de quem está na linha de frente, enfrentando os desafios e colhendo os benefícios de processos bem desenhados.

Quais etapas compõem um bom programa de rastreabilidade na reciclagem?

Uma metodologia estruturada, como adotada nesse exemplo, segue etapas bem definidas:

  1. Diagnóstico inicial: mapeamento dos fornecedores e identificação de pontos críticos.
  2. Definição de critérios: elaboração de protocolos alinhados a normas como ABNT, ESG e requisitos dos clientes.
  3. Avaliação de fornecedores: visitas técnicas, auditorias e análise de documentos para verificação na prática.
  4. Estruturação de base de dados: registro das informações e classificação dos fornecedores conforme desempenho.
  5. Monitoramento contínuo: auditorias regulares, feedbacks e planos de melhoria para desenvolvimento constante.

Cada uma dessas etapas fortalece não apenas controles formais, mas também a capacidade de responder rapidamente a riscos e auditorias externas.

O papel das tecnologias digitais na rastreabilidade

Tecnologias vêm sendo aliadas essenciais para catalogar, monitorar e auditar operações em cadeias longas e com diferentes níveis de formalização. Entre as mais presentes, destacam-se:

  • Plataformas digitais de gestão de fornecedores
  • Sistemas de código de barras e etiquetas RFID
  • Aplicativos móveis para registro de coletas e entregas
  • Bancos de dados integrados para auditoria e certificação

Essas soluções ampliam o alcance das auditorias, melhoram o controle de informações e preparam as empresas para exigências futuras.

Profissional usando tablet em inspeção de recicladora de plástico

Benefícios de garantir a rastreabilidade na reciclagem

Rastrear o plástico reciclado não é apenas atender regulações. É um diferencial que fortalece marcas e atrai parceiros responsáveis. Empresas que investem em rastreabilidade conseguem:

  • Reduzir riscos regulatórios e trabalhistas
  • Obter diferenciação positiva junto a clientes e investidores
  • Aprimorar gestão de riscos e qualidade do produto final
  • Promover inclusão e valorização de pequenos agentes da cadeia

Esses ganhos reforçam um círculo virtuoso dentro da economia circular, como ilustram diversos exemplos de empresas brasileiras comprometidas, evidenciados na prática da economia circular nacional.

Como aplicar esse modelo em outras empresas?

O caso apresentado mostra que é possível definir critérios, criar processos padronizados e estabelecer rotinas, mesmo em ecossistemas tão pulverizados quanto o da reciclagem de plásticos. A sustentabilidade como diferencial só é possível com governance sólida, adoção de referenciais normativos como os da ABNT e aproximação com especialistas que conhecem as exigências do setor.

Projetos como o Rekompense ajudam empresas de diversos portes a transformar demandas regulatórias em vantagem competitiva, antecipando tendências e estruturando cadeias de suprimentos mais transparentes e resilientes. Para empresas dispostas a se diferenciar, trabalhar com parceiros experientes faz toda a diferença no resultado.

O passo a passo pode ser conferido ainda de forma detalhada neste conteúdo sobre etapas de uma cadeia de suprimentos sustentável.

Conclusão

A rastreabilidade na cadeia de reciclagem de plástico vai além de registros e checklists: envolve compromisso com boas práticas, transparência e geração de valor compartilhado. Exemplos como o da Circklo demonstram que aliar padrões ESG, tecnologia, diagnóstico rigoroso e parcerias estratégicas torna possível entregar resultados mensuráveis, seguros e respeitados no mercado.

Para conhecer de perto o método aplicado e saber como implementar uma cadeia de reciclados rastreável em seu negócio, entre em contato com a ÓGUI e descubra como a transformação sustentável pode ser uma realidade com impacto direto no seu resultado.

Perguntas frequentes sobre rastreabilidade na reciclagem

Como funciona a rastreabilidade na reciclagem?

Na reciclagem, a rastreabilidade corresponde à capacidade de acompanhar cada etapa do resíduo plástico desde o ponto de origem, passando por coleta, triagem, transporte, reciclagem e entrega como nova matéria-prima. Cada movimentação deve ser registrada e acompanhada, seja por documentação, seja por sistemas digitais, garantindo integridade e transparência dos dados.

Por que rastrear o plástico reciclado?

Rastrear o plástico reciclado é fundamental para garantir a conformidade legal, prevenir práticas informais ou trabalho irregular, aumentar a confiança de clientes e investidores e possibilitar a certificação do produto final com respaldo em padrões ESG e normativos.

Quais tecnologias ajudam na rastreabilidade?

Soluções como plataformas digitais integradas, aplicativos móveis para registro de entregas, sistemas de código de barras, etiquetas RFID e bancos de dados para auditorias são as principais ferramentas que permitem monitorar todos os elos da cadeia e facilitar o acompanhamento detalhado das operações.

Como implementar rastreabilidade na cadeia?

A implementação envolve mapear todos os fornecedores, definir critérios rígidos baseados em normas e ESG, criar rotinas de registros e auditorias periódicas, padronizar procedimentos e investir em ferramentas tecnológicas, além de promover qualificação contínua de todos os atores da cadeia.

Quais são os desafios mais comuns?

Entre os desafios estão a baixa formalização de parte dos elos, dificuldade de controle documental, resistência à padronização, limitações tecnológicas regionais e a necessidade de capacitação contínua dos envolvidos para manter os padrões de rastreabilidade elevados.

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Priscilla Cersosimo

Sobre o Autor

Priscilla Cersosimo

Líder de pensamento reconhecida em implementação de estratégias ESG nas áreas de gestão da qualidade, sustentabilidade e certificações internacionais. Com mais de 10 anos de experiência e forte atuação em liderança de projetos complexos, carrega expertise em avaliação e diagnóstico de programas de rastreabilidade, conformidade de fornecedores e auditorias nos mais diversos segmentos, além de implementação de sistemas de gestão integrados e entrega de resultados expressivos em grandes organizações nacionais e multinacionais.

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