A gestão de riscos no Brasil avança de forma desigual. O cenário empresarial atual é impactado pela instabilidade, oscilações regulatórias e a digitalização acelerada. Embora o discurso sobre riscos esteja cada vez mais presente, existe um distanciamento prático: 72% das organizações apontam outras prioridades como principal obstáculo para evoluir em maturidade, um salto significativo de 17 pontos desde 2020 (análise do nível de maturidade em gestão de riscos em IFES do Nordeste Brasileiro). Esse dado revela como o risco ainda é visto como pauta secundária para uma grande parte das empresas.
Segundo a Secretaria da Controladoria Geral do Estado de Pernambuco e a tese sobre gestão de riscos corporativos da USP, o avanço está marcado por retrocessos. O destaque de 2024 da 4ª Pesquisa de Maturidade em Gestão de Riscos da KPMG mostra que houve queda nos níveis gerais: apenas 12% das empresas integram riscos totalmente ao planejamento estratégico e o patamar “avançado” diminuiu 5 pontos percentuais em relação a 2022. Fica clara a dificuldade de sair da teoria e inserir a gestão de riscos como valor da organização.
Por que a maturidade importa?
O conceito de maturidade em riscos vai além do cumprimento de regras. A maturidade é a capacidade de tratar riscos de modo proativo, estruturado e contínuo, protegendo e criando valor sob qualquer cenário. Segundo a análise da USP, a gestão sólida de riscos contribui para preservar e ampliar valor, tornando organizações resilientes e preparadas.
A gestão de riscos não é apenas mapear ameaças. É pensar e decidir com base na incerteza.
O desafio brasileiro está em estruturar processos ativos, e não apenas listas de tarefas. Isso exige direcionamento, repetição e alinhamento estratégico, elementos que a Rekompense considera fundamentais em suas soluções.
Gestão de riscos segundo a ISO 31000
É comum confundir gestão de riscos com apenas mais uma exigência. A ISO 31000 propõe uma abordagem completa e dinâmica. Seus princípios atuam como norteadores:
- Integração com decisões estratégicas
- Personalização conforme contexto da organização
- Inclusão de diferentes áreas e pessoas
- Dinamismo e adaptação constante
- Uso das melhores informações disponíveis
- Atenção à cultura e ao comportamento humano
- Foco em melhoria contínua
É fundamental entender que a ISO 31000 orienta e adapta-se à empresa. Não há certificação ISO 31000, apenas diretrizes práticas que guiam o processo.
Quais as 7 falhas que travam a maturidade no Brasil?
A pesquisa de 2024 traz sete dimensões que revelam os principais gargalos da maturidade em riscos brasileira:
1. Falta de apetite a risco e definição estratégica
Apenas 37% dos negócios possuem apetite ao risco claro e formalizado pela liderança. Isso se agrava dado que 43% das organizações não usam riscos como guia para o planejamento estratégico e só 12% integram os riscos plenamente à estratégia geral.
A ausência desse direcionamento expõe a organização a surpresas e limita a agilidade decisória.
2. Estrutura de governança estável, mas formalização em queda
O componente de governança é o mais bem pontuado: 76% contam com supervisão de Conselho ou Comitê e 59% têm função dedicada. Entretanto, a adoção de políticas formais caiu 6% e houve retrocessos na integração entre compliance, auditoria e controles internos, dificultando a atuação coordenada.
Isso reflete preocupação pontual, mas falta de sistematização entre áreas, como avalia a SCGE-PE em seu guia prático para maturidade em gestão de riscos.
3. Cultura e capacitação: o elo mais fraco
O entendimento dos colaboradores quanto à importância da gestão de riscos é baixo em 63% das empresas. Investimentos em treinamento caíram e o conhecimento dos executivos retrocedeu 7 pontos percentuais.
Sem cultura, o sistema de riscos é frágil e vulnerável.
Empresas que buscam diferenciação, como enfatizado pela Rekompense, precisam investir em disseminação cultural contínua.
4. Avaliação e mensuração pouco conectadas com métricas e indicadores
69% não possuem indicadores-chave de risco (KRIs) monitorados, dificultando a antecipação de eventos críticos. Apenas 8% conseguem fazer esse acompanhamento de forma automatizada, aumentando os riscos de decisões reativas.

5. Gestão e acompanhamento sem metodologia formal
Muitas organizações gerenciam riscos “de cabeça” ou registram em planilhas soltas, sem processo repetível e critérios objetivos. Assim, perde-se rastreabilidade e a resposta tende a ser sempre reativa, jamais preventiva.
Segundo a análise de maturidade em IFES do Nordeste Brasileiro, a falta de sistemas formais mantém o nível intermediário e impede saltos de maturidade.
6. Dados e tecnologia: o principal gargalo
O componente mais fraco, segundo a KPMG, é gestão de dados e tecnologia: 66% das empresas estão no nível “fraco”, 92% não automatizam monitoramentos e apenas 38% realizam análises em ferramentas específicas.
A dependência de planilhas leva a perda, retrabalho e atraso na tomada de decisão.
7. Relatórios e análises insuficientes para tomada de decisão rápida
Poucas empresas conseguem gerar relatórios dinâmicos e de fácil entendimento para a liderança. O resultado é falta de visão sistêmica e lentidão diante das mudanças regulatórias ou de mercado.
Principais riscos para empresas brasileiras em 2024
A pressão regulatória é um dos grandes desafios, com destaque para:
- Riscos regulatórios – 63%
- Riscos operacionais – 56%
- Cibersegurança – 46%
- Execução da estratégia – 42%
- Condições econômicas – 35%
Com a rápida transformação digital e as exigências da LGPD, o risco cibernético cresce, exigindo resposta rápida e formalizada. O tema também é amplamente discutido na categoria tendências normativas do blog da Rekompense, onde especialistas apresentam análises sobre as mudanças no ambiente regulatório.

Melhores práticas para subir o nível
Algumas recomendações, baseadas na ISO 31000 e boas práticas globais, podem transformar a gestão de riscos na prática:
- Definir apetite a risco de forma clara e documentada, aprovado pela alta liderança. Esse documento norteia todas as decisões e orienta o engajamento dos times.
- Integrar riscos ao planejamento estratégico, realizando análises de risco para cada objetivo e cenário relevante.
- Investir em capacitação e disseminação da cultura de riscos em todos os níveis da organização.
- Instituir metodologia formal: critérios de avaliação, papéis definidos, frequência de revisão (ao menos semestral) e protocolos claros para escalonamento de riscos relevantes.
- Adotar e monitorar indicadores-chave de risco para antecipar eventos críticos, sempre que possível com apoio de ferramentas automatizadas.
- Investir em tecnologia para migrar dos controles manuais para sistemas estruturados, ampliando rastreabilidade e transparência.
Uma ferramenta prática integrada, como o módulo Gestão de Riscos Qualyteam, adiciona valor real à experiência operacional: permite cadastro estruturado, geração automática de matrizes, definição e classificação de riscos, planos de ação, notificações, dashboards gerenciais, integração com outros módulos e um assistente de IA para análises avançadas. Com isso, a migração das planilhas para um processo seguro é concretizada de imediato, sem altos custos ou barreiras técnicas.
Para quem busca aprofundar, artigos como como integrar ESG ao compliance na indústria e a categoria de compliance detalham os vínculos entre sustentabilidade, governança e proteção contra riscos emergentes, facilitando o alinhamento estratégico para negócios que desejam crescer de forma responsável.
Sem atalhos: maturidade é processo contínuo
Cair de maturidade em riscos é o sinal de um retorno ao improviso. O caminho está em agir hoje para evitar consequências amanhã.
Essas recomendações ajustadas à cultura, estratégia e recursos da organização criam um círculo virtuoso. A diferenciação sustentável só acontece quando cultura, tecnologia e estratégia andam juntas, consolidando decisões mais ágeis e seguras.
A Rekompense acredita que cada avanço em maturidade é oportunidade de destaque competitivo, alinhado à antecipação regulatória e às tendências abordadas em erros ESG que afastam investidores e outros conteúdos do blog, construindo bases sólidas para conquistar novos mercados.
Aprofunde a maturidade em gestão de riscos de sua organização dando o próximo passo com a consultoria especializada da Rekompense. Descubra como transformar exigências em diferenciais reais, antecipando-se às tendências e fortalecendo sua tomada de decisão.
Perguntas frequentes sobre maturidade em gestão de riscos
O que é gestão de riscos?
Gestão de riscos é o processo de identificar, avaliar, tratar e monitorar incertezas que podem afetar o alcance dos objetivos de uma organização. Engloba políticas, procedimentos e uma cultura voltada para decisões informadas, ajustando estratégias diante de eventos positivos ou negativos.
Como evitar falhas na gestão de riscos?
O segredo está em formalizar processos, garantir revisões frequentes da matriz de riscos (ao menos semestralmente ou em caso de mudanças relevantes), definir claramente o apetite a risco, capacitar colaboradores e investir em tecnologia para rastreabilidade e análise automatizada.
Quais os principais erros ao gerir riscos?
Os principais são: ausência de apetite a risco documentado, falta de integração com planejamento estratégico, gestão manual (planilhas soltas), ausência de cultura de riscos, não uso de indicadores-chave para monitoramento, baixa capacitação e carência de revisão periódica dos riscos.
Por que a maturidade em riscos é importante?
Maturidade garante respostas rápidas e ações proativas, elevando o nível de proteção, confiança dos investidores, resiliente operacional e capacidade de explorar oportunidades com segurança. Empresas maduras sobressaem em ambientes incertos e exigentes.
Como melhorar a gestão de riscos no Brasil?
Avanço concreto só acontece com definição clara do apetite, integração de riscos à estratégia, investimento em cultura, automação tecnológica e revisão contínua dos processos. A evolução deve ser planejada, passo a passo e alinhada à realidade do negócio, como orienta a Rekompense em todos os seus projetos.