Tenho observado de perto: ESG deixou de ser um tema distante ou meramente reputacional. Em 2026, vivemos a transformação concreta, onde múltiplas tendências ESG impactam diretamente custos, estratégias, riscos e oportunidades das empresas. Ignorar esse fenômeno é assumir riscos crescentes e abrir mão de diferenciais competitivos.
A seguir, compartilho as oito tendências principais que já moldam o ecossistema ESG no Brasil e no mundo, trazendo exemplos práticos, desafios e reflexões baseadas na experiência vivida pela Rekompense e pelo mercado.
O “cabo de guerra” regulatório: além do mínimo, apesar dos atrasos
Estamos em um momento em que normas como a Resolução 193 da CVM e exigências internacionais avançam, mas também há forte pressão por flexibilização, prazos estendidos e ajustes. Muitos líderes se perguntam: afinal, ESG está perdendo força?
Quem faz só pelo mínimo arrisca perder relevância.
Já vi empresas minimizarem essa onda, esperando por adiamentos, o que gera uma falsa sensação de tranquilidade. Ainda que haja atrasos na legislação, o mercado (investidores, grandes compradores, setor financeiro) permanece cada vez mais exigente. Empresas maduras e bem posicionadas vão além do compliance, antecipando tendências e transformando riscos em oportunidade de diferenciação. Recomendo aprofundar a leitura em análises sobre tendências normativas, pois ali fica claro como a regulamentação continuará adensando o tema.
Gestão do carbono no centro das decisões
Com a Lei 15.042/2024 criando o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, fica impossível tratar a gestão de carbono de forma superficial. Inventários de emissões, englobando escopos 1, 2 e especialmente o 3, tornam-se cada vez mais relevantes.
Vejo empresas pressionadas a internalizar custo de carbono, definir preços internos, criar estratégias de redução reais e apresentar planos de transição sólidos, com dados auditáveis.
Metas vagas e prazos longos já não convencem ninguém.
Se sua empresa ainda olha carbono apenas como item de relatório, é hora de rever o olhar. Dados sólidos, avaliação de riscos e antecipação estão começando a separar quem lidera e quem será pressionado. O mercado financeiro já cobra informações mais consistentes e comparáveis, e isso vai se intensificar nos próximos meses.

Risco climático: eventos extremos e continuidade de negócios
Antes, risco climático era um conceito distante. Hoje, eventos extremos afetam operações, ativos, custos, logística e cadeias de suprimentos. Ao ler relatórios recentes de empresas nacionais, percebo a mudança: riscos climáticos já estão integrados à avaliação de continuidade de negócios e gestão de seguros.
O discurso não basta. É necessário avaliar riscos quantitativamente, definir planos de ação e comunicar decisões concretas. Não raro, vejo gestores surpresos pela dificuldade de repassar sinistros para o seguro, pois faltam avaliações detalhadas. Um ponto abordado nos relatórios oficiais de companhias brasileiras indica esse movimento como tendência consolidada.
Inteligência artificial: paradoxos ESG e novas demandas
Admito: fiquei impressionado com a velocidade em que a inteligência artificial se tornou aliada na coleta e tratamento de dados ESG. Automação, análises preditivas e monitoramento em tempo real mudaram rotinas de auditorias e controles.
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com o paradoxo: IA consome enorme volume de energia e aumenta as emissões, tornando os ganhos quantitativos insuficientes para neutralizar impactos ambientais. Um estudo aponta um crescimento de 50% nas emissões atribuídas ao uso de IA entre 2019 e 2024.
Eficiência não apaga impacto ambiental.
Simplificações no discurso só ampliam riscos. O caminho envolve adotar governança transparente, métricas robustas e uma estratégia energética alinhada, considerando fontes renováveis e otimização do consumo digital. Você pode aprofunda discores sobre inteligência artificial e sustentabilidade nas discussões sobre ESG do nosso blog.
Matéria social amadurece: prática, dados e liderança
Outro fenômeno que presencio: políticas sociais deixaram de ser anúncios para virar parte da governança e risco. O uso de indicadores, metas de inclusão, integração com ODSs (como o ODS 18 monitorado no Brasil) e real envolvimento das lideranças são elementos cobrados por investidores, clientes e cadeias de valor.
Empresas que recuam, agem de forma incoerente ou comunicam sem prática estão cada vez mais expostas a riscos reputacionais, jurídicos e até operacionais.
Coerência entre discurso e prática nunca foi tão observada.

Financeirização da sustentabilidade: ESG no valuation e orçamento
Na minha experiência, nunca o ESG esteve tão integrado à dinâmica financeira como agora. Deixou de ser apenas narrativa para se incorporar ao valuation, orçamento, decisões de investimento e priorização de projetos.
Segundo estudos da EGADE Business School, ativos sob gestão com foco em ESG já somam mais de US$ 16,7 trilhões em 2024, ultrapassando um quarto dos fundos globais. ESG passou de custo para critério decisório financeiro. É um equívoco tratar seu valor como algo apenas qualitativo: o impacto já chega nas projeções de risco, nos custos de financiamento e no preço de ações.
A sustentabilidade além da empresa: cadeia de valor e direitos humanos
Nunca foi tão evidente o aumento da pressão sobre toda a cadeia. Engajamento de fornecedores, escopo 3, temas como compliance de direitos humanos (vide discussões em torno do CSDDD europeu) e responsabilidade solidária ganham força.
- Monitoramento ativo das cadeias
- Negociação de contratos com cláusulas ESG
- Acompanhamento contínuo, e não apenas auditorias pontuais
É um erro recorrente transferir toda a responsabilidade às terceiras partes, ou adotar compensação ambiental como solução única. Discussões aprofundadas sobre normas técnicas e seus impactos para 2030 podem ser acompanhadas em conteúdos sobre normas ABNT e sustentabilidade.
ESG para pequenas e médias: novos contratos e riscos
Se antes parecia apostar apenas em grandes corporações, hoje, ESG já chega às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). Contratos de fornecimento incluem cláusulas ESG, bancos exigem padrões mínimos e os riscos climáticos afetam negócios locais. O VSME do EFRAG criou padrões voluntários dedicados às pequenas empresas, ajustando o ESG à sua realidade e capacidade de resposta.
Na prática, vejo muitos erros: aplicar estruturas pensadas para multinacionais em empresas familiares ou emergentes impede avanços reais. Cada modelo precisa ser adequado ao porte e ao contexto do negócio.
Conclusão: agir agora é a diferença entre liderar ou reagir
Viver 2026 é perceber: ESG se concretizou, tornando custo, risco, estratégia e reputação partes do mesmo fluxo decisório. Quem entende essas tendências, segundo mostrei acima, antecipa oportunidades e constrói resiliência.
Tenho orgulho de fazer parte da Rekompense, que aposta no olhar além do compliance e na antecipação de tendências. Minha sugestão: aprofunde-se no Guia Visão ESG 2026, instrumental para profissionais de sustentabilidade, estratégia, finanças e governança. E para microtendências e exemplos práticos, explore as categorias de sustentabilidade e ESG no blog da Rekompense. Sua tomada de decisão vai agradecer.
Perguntas frequentes sobre ESG em 2026
O que é ESG e para que serve?
ESG é a sigla para Environmental, Social and Governance (Meio ambiente, Social e Governança). Serve para orientar empresas a incluir práticas responsáveis que reduzam impactos negativos e aumentem resultados positivos nessas dimensões. Mede riscos, potencial competitivo e acesso a capital.
Quais as principais tendências ESG em 2026?
As tendências que identifiquei incluem: regulação crescente e exigente, gestão avançada de carbono, abordagem realista ao risco climático, análise dos paradoxos da inteligência artificial, maturidade na dimensão social, financeirização da sustentabilidade, foco na cadeia de valor e expansão do ESG entre pequenas e médias empresas. Todas trazem impactos diretos no custo e na forma de gerir estratégias.
Como ESG impacta o custo das empresas?
ESG impacta custos tanto pela necessidade de adequação às normas quanto por evitar multas, perdas operacionais e riscos reputacionais. Empresas que se antecipam tendem a acessar financiamentos mais baratos e obter melhor avaliação de mercado. Quem ignora, paga mais caro ao longo do tempo.
Por que ESG é importante na estratégia?
ESG deixa de ser só reputação e passa a orientar decisões que afetam investimentos, acesso a mercados, relacionamento com clientes e investidores – além de garantir continuidade e resiliência do negócio. É um dos critérios de avaliação para futuros parceiros, financiadores e consumidores.
Como implementar ESG na minha empresa?
A implementação começa com diagnóstico do estágio atual, definição de metas alinhadas ao porte e mercado, engajamento da liderança e monitoramento estruturado dos resultados. O suporte especializado, como o oferecido pela Rekompense, pode acelerar e tornar todo o processo mais estratégico, antecipando tendências e construindo diferenciais reais.